Meu cotidiano... ou não
mu5icliz:

sherlockedfandom:

daftwithoneshoe:

Ladies and gentlemen of the Sherlock fandom. I would like to ask you to please take a minute out of your busy day of jamming and moving like jagger to honor this person. You see that title up there? Costume Designer. Do you know what that means? Yes, that’s right. This person is responsible for bringing us the the blue scarf, the overcoat, the jumpers, Westwood and even… wait for it… the purple shirt of sex. So put your hands together for this amazing person, without whom we wouldn’t have a good portion of our crack. Thank you, you beautiful mofo. Thank you.


Thank you so much for putting Benedict in such tight shirts!

I think we’re forgetting one.

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(via lokis-army-at-221b)

I just need to have this on my blog.

hexiium:

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Please reblog this if you’re not an organ dealer, pedophile, rapist, or a psychopath.

padfootstolemycrumpet:

areyouwearinganypants:

thatone8bitkid:

keyboardfrost:

depotagents:

creamyryoupuffs:

i need to prove my mom that people on internet are normal people. i will show her this at every 100 notes.

only 187 notes.

omg

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(Source: wh1telighter, via who-cast-incendio)

(via dinklage)

(via nightsideink)

reynajellybeans:

                                           Hades e Perséfone
Perséfone era filha única de Deméter e orgulho de sua mãe. Juntas, as duas divindades tornavam a terra viçosa e fecunda, todavia a beleza e juventude da Virgem da Primavera era tal que fazia empalidecer de inveja as outras deusas e suspirar de amor os deuses, não só do Olimpo mas também dos Oceanos e até… o dos Infernos!
Hades, o Senhor dos Mundos Subterrâneos, era uma divindade poderosíssima mas muito infeliz. Na partilha do Mundo com os seus irmãos, a Fortuna não o bafejara, distribuindo os domínios luminosos dos Céus a Zeus e dos Mares a Posídon, entregando-lhe a ele, para toda a eternidade, esse império de trevas, de sofrimento e de morte!
Um mundo sem a beleza de uma flor, o som de uma canção ou de um riso, uma frescura de brisa ou de esperança, apenas abismos povoados de monstros e de sombras. Nenhuma presença feminina, gesto de ternura ou beijo de paixão adoçara alguma vez a alma atormentada do Senhor dos Infernos. Temido e mal amado por deuses e homens, tornara-se no sombrio e feroz, sem piedade nem compaixão pelo sofrimento alheio, dando o seu próprio nome de Hades às regiões terríficas dos mortos, assumindo-se assim como Punição e Desespero.
Não tinha a companhia de um amigo para conversar ou com quem tomar um pouco de ambrósia ou um cálice de néctar, só Hermes vinha de passagem, eternamente jovem e inconstante, sempre apressado e cheio de trabalho, voando para satisfazer as intrigas de Zeus ou de qualquer outra divindade.
Os seus companheiros eram, pois, Aiakos, Minos e  Radamante, os juízes dos mortos, e com eles só falava de trabalho; Caronte, o barqueiro esquelético, não tinha tempo para conversas, pois andava num constante vaivém a transportar os mortos na sua barca; Tanatos, o deus da Morte, de alma de ferro e coração de bronze, parecia estar sempre a dormir e nunca lhe respondia.
Com as divindades femininas ainda tinha menos sorte. Hécate, pálida como o luar, metia-se no seu antro de feiticeira a preparar filtros e encantamentos, quando não andava a rondar os túmulos, acompanhada por uma alcateia de cães e lobos uivantes, a convocar os fantasmas e os espectros para irem aterrorizar os humanos. Alecto, Tisífone e Megera, as três Fúrias, eram muito vingativas, sempre a perseguirem os assassinos, os perjuros, os transgressores das leis da família e da sociedade, levando-os à loucura e continuando a atormentá-los mesmo depois da morte. As Moiras ou Parcas não gostavam que lhes interrompessem o trabalho de desfiar o destino dos homens e não tinham mãos a medir, tantos eram os fios de vidas que Clotho fiava sem cessar, Lachesis dobava em meadas mais ou menos longas e Atropos cortava segundo o seu capricho. As Keres, sombrias virgens aladas de olhos terríveis, nunca paravam no Hades, pois iam percorrer os campos de batalha, caindo sobre os guerreiros feridos, rasgando-lhes o peito com unhas como garras, enviando-lhes as almas para os Infernos enquanto lhes bebiam o sangue quente dos corpos, partindo logo, insaciáveis, em busca de nova presa.
De que lhe servia ser Plutão, o deus da Cornucópia, senhor de todas as riquezas do interior da terra, se estava condenado a viver sozinho?
Restavam-lhe talvez os animais, mas o que mais se aparentava a uma ave da terra eram as horríveis Harpias, monstros vorazes e imundos, de cheiro nauseabundo, repugnando ao Senhor dos Infernos e a sua montada era um dragão, que não podia levar para lugares habitados, pois cuspia jorros de fogo, reduzindo tudo a cinzas e escombros.
Cérbero, o cão de guarda dos Mundos Subterrâneos, era afinal a sua única companhia. Se Hades assobiava a chamá-lo, ele vinha a correr, abanando a sua longa cauda de serpente e pousava meigamente as suas três cabeças no regaço do dono, para que este lhe coçasse as seis orelhas pontiagudas. Hades afagava-o durante alguns momentos, tomando sempre muito cuidado em evitar as venenosas serpentes da sua juba, ou, quando fazia muito calor, passeava com ele um pouco pelas matas de ciprestes ou nas margens de algum dos cinco rios que banhavam as regiões profundas, mandando—o de novo guardar a entrada, para que ninguém pudesse deixar aquele mundo sem esperança.
Zeus mergulhava nas fontes para brincar com as Ninfas, Posídon nadava nas correntes dos Oceanos, só a Hades estava proibida a frescura das águas nos rios do seu mundo! O Aqueronte era um pântano de Dores, lodo e barro, por onde navegava a barca de Caronte transportando as almas de uma para outra margem; o Estige, um negro rio de Horrores, pelo qual os deuses juravam com risco da sua imortalidade; a ribeira cinzenta de Lete provocava o esquecimento a quem bebesse da sua água; o vermelho Flagetonte crescia em torrente de fogo para atormentar as almas com terríveis queimaduras; e, por último, havia o gelado Cocito, de águas turvas onde se fundiam os gemidos dos condenados. Que prazer podia sentir o amargo deus das Sombras ao contemplar os seus domínios?
Uma noite (era sempre noite no Reino das Sombras!), para se distrair da sua eterna melancolia, Hades olhou a Terra através da Grande Esmeralda da Visão que lhe permitia observar tudo o que se passava nos quatro cantos do mundo. O raio verde-esmeralda varreu as trevas e os espaços, mostrou-lhe o sempre visto __ a luz dos outros mundos, as cores frescas da Primavera e a incauta alegria da vida __ e o Senhor dos Infernos suspirou de tédio e amargura.
Mas, de súbito, no olho da Esmeralda surgiu o rosto de Perséfone, a filha de Zeus e de Deméter e Hades estremeceu com uma emoção desconhecida. Só o orvalho dos seus olhos faria reverdecer as árvores de pedra dos jardins do Inferno, só a doçura da sua voz poderia abrandar os lamentos dos condenados e apenas o riso de cristal lograria inflamar o seu frio coração de diamante.
A partir desse momento, Hades nunca mais deixou de pensar na sobrinha, espreitando-a a toda a hora através da indiscreta esmeralda, bebendo-lhe as palavras, estudando-lhe os gestos e as expressões. Cada vez mais enamorado, descurou a vigilância nos mundos infernais, o equilíbrio a ordem do Universo ressentiram-se e Zeus foi chamado a intervir.
Sempre compreensivo para com os amores difíceis (quantas vezes não se encontrara já em situações impossíveis por causa de uma mulher ou de uma ninfa?!), Zeus prestou-se a ajudá-lo no rapto de Perséfone, pois Deméter nunca daria o seu consentimento para a filha adorada ir viver no Mundo dos Infernos.
Assim, quando Perséfone andava a passear com as gentis Oceânides, as filhas de Tétis e Oceano, na planície de Enna, na Sicília, Hades fez brotar, ao longe, um campo de narcisos. Atraída pela bela mancha dourada das flores e pelo perfume que lhe acariciava os sentidos, a Virgem da Primavera afastou-se das suas companheiras para colher um ramo. Apenas tinha arrancado o primeiro narciso, quando o chão se rasgou numa fenda profunda, de onde saíram duas parelhas de dragões de um verde esmeralda quase negro e olhos de carbúnculo faiscante, puxando uma quadriga cor de azeviche, conduzida por um formidável cavaleiro, negro como o ébano.
Sem tempo para recuperar do seu espanto, Perséfone encontrou-se entre os braços poderosos do estranho raptor, mergulhando através da fenda abissal no Império das Sombras. Só teve tempo de soltar um grito, por entre os soluços que a sufocavam, antes do chão se fechar sobre a sua cabeça e ficar nas trevas mais profundas, sentindo que o carro descia a uma velocidade diabólica ao encontro do seu destino. Quem seria o guerreiro que assim a levava do mundo dos vivos? Mal o vira, mas guardava a imagem de uns olhos negros, fatais e atormentados, num rosto muito belo. Sentia no braço que a enlaçava uma estranha delicadeza e a mão, que lhe mantinha a cabeça encostada ao peito imenso, tinha a ternura de uma carícia. A vertigem do abismo fazia com que Perséfone, cheia de medo, se apertasse contra o corpo do seu raptor e, assim, ouvisse o bater descompassado do seu coração, como se também ele estivesse assustado.
Chegados aos aposentos do Senhor dos Mundos Subterrâneos, Perséfone soube que o raptor era o seu próprio tio que nunca vira e sempre temera. Estava mais tranquila, embora aquele lugar vibrasse com um poder de forças ocultas e terríveis e as suas narinas captassem estranhos odores.
Hades parecia perturbado como um adolescente, pedindo-lhe perdão pela maneira como a trouxera para o seu mundo, falando no consentimento de Zeus. A jovem olhava-o, esquecendo o medo. Era tão belo! Rosto de Apolo negro num corpo de Ares e uma aura de mistério a dobrar-lhe o encanto. Se não fora aquele maldito lugar, o leito em forma de túmulo… e a Virgem da Primavera afastou um pensamento inquietante.
Adamastos queria mostrar-lhe os seus domínios e preparara tudo para a receber, iluminando o reino das sombras como um palácio em festa, para que Perséfone não tivesse medo. Mandara silenciar as matilhas uivantes e aliviar as penas dos condenados, para que nenhum som infernal destruísse a harmonia do momento. E trouxera as pedras mais preciosas do coração da terra, para delas fazer presente à sua amada. Mas a filha de Deméter via os rios de sombra, as árvores de pedra, a população imensa de monstros e de pecadores e estremecia de horror. Até Cérbero, a manifestar-lhe o seu carinho com meigas lambidelas das suas três línguas, lhe fazia gelar o sangue nas veias.
Quando o deus dos Infernos a convidou a comer as iguarias mais raras, mandadas vir dos quatro cantos do universo para seu prazer, Perséfone recusou, pois sabia que se quebrasse o jejum no mundo dos mortos não mais poderia partir.
Hades levou-a então a um lugar mágico que criara para a sua amada, um jardim cheio de flores e frutos, como um oásis luminoso num deserto de trevas. Sentados sob uma romãzeira carregada de frutos, o deus terrível falou-lhe do seu horrendo trabalho, da sua vida sem amor e sem esperança. Como poderia ser compassivo e generoso se nunca fora amado?
 Perséfone deixou-se envolver pelo sofrimento e a solidão dos belos olhos negros e aceitou os bagos rubros da romã que Hades lhe oferecia com ternas palavras de amor, selando assim o seu destino.
Entretanto na Terra, durante nove dias e nove noites, Deméter, louca de angústia, sem comer nem dormir, percorreu o Mundo à procura da filha, mas nem deuses nem humanos sabiam dizer-lhe o que tinha acontecido. Por fim, o Sol (que tudo vê) compadeceu-se dela e contou-lhe a verdade __ Perséfone encontrava-se nos Mundos Subterrâneos, entre as sombras dos mortos.
Amargurada, Deméter abandonou o Olimpo e refugiou-se numa cabana, recusando-se a abençoar a terra com os seus frutos e sementeiras, tornando os solos estéreis e condenando a raça humana à fome e à miséria. Zeus compreendeu que tinha de obrigar Hades a libertar a Perséfone e enviou Hermes aos Infernos com a sua mensagem.
O Mensageiro dos Deuses encontrou o casal em doce harmonia e transmitiu-lhes as palavras de Zeus. Hades obedeceu, contrariado, mandado preparar a sua quadriga de dragões alados em que Hermes conduziria Perséfone para junto de sua mãe. O Mensageiro viu surpreendido como a jovem se despedia ternamente do deus terrífico…prometendo voltar. Mais do que o sortilégio do bago da romã, parecia ser o amor a ligar a risonha deusa da primavera à sombria beleza do Senhor dos Infernos.
Mal Deméter abraçou a filha, compreendeu que ela já não era a mesma menina alegre e inocente, um véu de melancolia punha sombras nos seus olhos. Perséfone confessou-lhe ter provado o bago da romã do jardim de Hades e, portanto, teria de voltar e a mãe chorou de tristeza e impotência. Para apaziguar o sofrimento de Deméter, Perséfone prometeu partilhar a sua vida com ela e o marido, vindo passar metade do ano na terra para ajudar a mãe nas suas tarefas e indo viver os restantes seis meses no Mundo dos Mortos.
Deméter aceitou o pacto e, durante os seis meses que Perséfone vem viver com ela, faz eclodir na terra a Primavera e o Verão numa profusão de flores e frutos; porém, logo que a filha regressa ao Império de Hades, a deusa da abundância recolhe-se na sua solidão e o Outono e o Inverno apoderam-se da terra, cobrindo-a com o seu manto de tristeza.
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reynajellybeans:

                                           Hades e Perséfone

Perséfone era filha única de Deméter e orgulho de sua mãe. Juntas, as duas divindades tornavam a terra viçosa e fecunda, todavia a beleza e juventude da Virgem da Primavera era tal que fazia empalidecer de inveja as outras deusas e suspirar de amor os deuses, não só do Olimpo mas também dos Oceanos e até… o dos Infernos!

Hades, o Senhor dos Mundos Subterrâneos, era uma divindade poderosíssima mas muito infeliz. Na partilha do Mundo com os seus irmãos, a Fortuna não o bafejara, distribuindo os domínios luminosos dos Céus a Zeus e dos Mares a Posídon, entregando-lhe a ele, para toda a eternidade, esse império de trevas, de sofrimento e de morte!

Um mundo sem a beleza de uma flor, o som de uma canção ou de um riso, uma frescura de brisa ou de esperança, apenas abismos povoados de monstros e de sombras. Nenhuma presença feminina, gesto de ternura ou beijo de paixão adoçara alguma vez a alma atormentada do Senhor dos Infernos. Temido e mal amado por deuses e homens, tornara-se no sombrio e feroz, sem piedade nem compaixão pelo sofrimento alheio, dando o seu próprio nome de Hades às regiões terríficas dos mortos, assumindo-se assim como Punição e Desespero.

Não tinha a companhia de um amigo para conversar ou com quem tomar um pouco de ambrósia ou um cálice de néctar, só Hermes vinha de passagem, eternamente jovem e inconstante, sempre apressado e cheio de trabalho, voando para satisfazer as intrigas de Zeus ou de qualquer outra divindade.

Os seus companheiros eram, pois, Aiakos, Minos e  Radamante, os juízes dos mortos, e com eles só falava de trabalho; Caronte, o barqueiro esquelético, não tinha tempo para conversas, pois andava num constante vaivém a transportar os mortos na sua barca; Tanatos, o deus da Morte, de alma de ferro e coração de bronze, parecia estar sempre a dormir e nunca lhe respondia.

Com as divindades femininas ainda tinha menos sorte. Hécate, pálida como o luar, metia-se no seu antro de feiticeira a preparar filtros e encantamentos, quando não andava a rondar os túmulos, acompanhada por uma alcateia de cães e lobos uivantes, a convocar os fantasmas e os espectros para irem aterrorizar os humanos. Alecto, Tisífone e Megera, as três Fúrias, eram muito vingativas, sempre a perseguirem os assassinos, os perjuros, os transgressores das leis da família e da sociedade, levando-os à loucura e continuando a atormentá-los mesmo depois da morte. As Moiras ou Parcas não gostavam que lhes interrompessem o trabalho de desfiar o destino dos homens e não tinham mãos a medir, tantos eram os fios de vidas que Clotho fiava sem cessar, Lachesis dobava em meadas mais ou menos longas e Atropos cortava segundo o seu capricho. As Keres, sombrias virgens aladas de olhos terríveis, nunca paravam no Hades, pois iam percorrer os campos de batalha, caindo sobre os guerreiros feridos, rasgando-lhes o peito com unhas como garras, enviando-lhes as almas para os Infernos enquanto lhes bebiam o sangue quente dos corpos, partindo logo, insaciáveis, em busca de nova presa.

De que lhe servia ser Plutão, o deus da Cornucópia, senhor de todas as riquezas do interior da terra, se estava condenado a viver sozinho?

Restavam-lhe talvez os animais, mas o que mais se aparentava a uma ave da terra eram as horríveis Harpias, monstros vorazes e imundos, de cheiro nauseabundo, repugnando ao Senhor dos Infernos e a sua montada era um dragão, que não podia levar para lugares habitados, pois cuspia jorros de fogo, reduzindo tudo a cinzas e escombros.

Cérbero, o cão de guarda dos Mundos Subterrâneos, era afinal a sua única companhia. Se Hades assobiava a chamá-lo, ele vinha a correr, abanando a sua longa cauda de serpente e pousava meigamente as suas três cabeças no regaço do dono, para que este lhe coçasse as seis orelhas pontiagudas. Hades afagava-o durante alguns momentos, tomando sempre muito cuidado em evitar as venenosas serpentes da sua juba, ou, quando fazia muito calor, passeava com ele um pouco pelas matas de ciprestes ou nas margens de algum dos cinco rios que banhavam as regiões profundas, mandando—o de novo guardar a entrada, para que ninguém pudesse deixar aquele mundo sem esperança.

Zeus mergulhava nas fontes para brincar com as Ninfas, Posídon nadava nas correntes dos Oceanos, só a Hades estava proibida a frescura das águas nos rios do seu mundo! O Aqueronte era um pântano de Dores, lodo e barro, por onde navegava a barca de Caronte transportando as almas de uma para outra margem; o Estige, um negro rio de Horrores, pelo qual os deuses juravam com risco da sua imortalidade; a ribeira cinzenta de Lete provocava o esquecimento a quem bebesse da sua água; o vermelho Flagetonte crescia em torrente de fogo para atormentar as almas com terríveis queimaduras; e, por último, havia o gelado Cocito, de águas turvas onde se fundiam os gemidos dos condenados. Que prazer podia sentir o amargo deus das Sombras ao contemplar os seus domínios?

Uma noite (era sempre noite no Reino das Sombras!), para se distrair da sua eterna melancolia, Hades olhou a Terra através da Grande Esmeralda da Visão que lhe permitia observar tudo o que se passava nos quatro cantos do mundo. O raio verde-esmeralda varreu as trevas e os espaços, mostrou-lhe o sempre visto __ a luz dos outros mundos, as cores frescas da Primavera e a incauta alegria da vida __ e o Senhor dos Infernos suspirou de tédio e amargura.

Mas, de súbito, no olho da Esmeralda surgiu o rosto de Perséfone, a filha de Zeus e de Deméter e Hades estremeceu com uma emoção desconhecida. Só o orvalho dos seus olhos faria reverdecer as árvores de pedra dos jardins do Inferno, só a doçura da sua voz poderia abrandar os lamentos dos condenados e apenas o riso de cristal lograria inflamar o seu frio coração de diamante.

A partir desse momento, Hades nunca mais deixou de pensar na sobrinha, espreitando-a a toda a hora através da indiscreta esmeralda, bebendo-lhe as palavras, estudando-lhe os gestos e as expressões. Cada vez mais enamorado, descurou a vigilância nos mundos infernais, o equilíbrio a ordem do Universo ressentiram-se e Zeus foi chamado a intervir.

Sempre compreensivo para com os amores difíceis (quantas vezes não se encontrara já em situações impossíveis por causa de uma mulher ou de uma ninfa?!), Zeus prestou-se a ajudá-lo no rapto de Perséfone, pois Deméter nunca daria o seu consentimento para a filha adorada ir viver no Mundo dos Infernos.

Assim, quando Perséfone andava a passear com as gentis Oceânides, as filhas de Tétis e Oceano, na planície de Enna, na Sicília, Hades fez brotar, ao longe, um campo de narcisos. Atraída pela bela mancha dourada das flores e pelo perfume que lhe acariciava os sentidos, a Virgem da Primavera afastou-se das suas companheiras para colher um ramo. Apenas tinha arrancado o primeiro narciso, quando o chão se rasgou numa fenda profunda, de onde saíram duas parelhas de dragões de um verde esmeralda quase negro e olhos de carbúnculo faiscante, puxando uma quadriga cor de azeviche, conduzida por um formidável cavaleiro, negro como o ébano.

Sem tempo para recuperar do seu espanto, Perséfone encontrou-se entre os braços poderosos do estranho raptor, mergulhando através da fenda abissal no Império das Sombras. Só teve tempo de soltar um grito, por entre os soluços que a sufocavam, antes do chão se fechar sobre a sua cabeça e ficar nas trevas mais profundas, sentindo que o carro descia a uma velocidade diabólica ao encontro do seu destino. Quem seria o guerreiro que assim a levava do mundo dos vivos? Mal o vira, mas guardava a imagem de uns olhos negros, fatais e atormentados, num rosto muito belo. Sentia no braço que a enlaçava uma estranha delicadeza e a mão, que lhe mantinha a cabeça encostada ao peito imenso, tinha a ternura de uma carícia. A vertigem do abismo fazia com que Perséfone, cheia de medo, se apertasse contra o corpo do seu raptor e, assim, ouvisse o bater descompassado do seu coração, como se também ele estivesse assustado.

Chegados aos aposentos do Senhor dos Mundos Subterrâneos, Perséfone soube que o raptor era o seu próprio tio que nunca vira e sempre temera. Estava mais tranquila, embora aquele lugar vibrasse com um poder de forças ocultas e terríveis e as suas narinas captassem estranhos odores.

Hades parecia perturbado como um adolescente, pedindo-lhe perdão pela maneira como a trouxera para o seu mundo, falando no consentimento de Zeus. A jovem olhava-o, esquecendo o medo. Era tão belo! Rosto de Apolo negro num corpo de Ares e uma aura de mistério a dobrar-lhe o encanto. Se não fora aquele maldito lugar, o leito em forma de túmulo… e a Virgem da Primavera afastou um pensamento inquietante.

Adamastos queria mostrar-lhe os seus domínios e preparara tudo para a receber, iluminando o reino das sombras como um palácio em festa, para que Perséfone não tivesse medo. Mandara silenciar as matilhas uivantes e aliviar as penas dos condenados, para que nenhum som infernal destruísse a harmonia do momento. E trouxera as pedras mais preciosas do coração da terra, para delas fazer presente à sua amada. Mas a filha de Deméter via os rios de sombra, as árvores de pedra, a população imensa de monstros e de pecadores e estremecia de horror. Até Cérbero, a manifestar-lhe o seu carinho com meigas lambidelas das suas três línguas, lhe fazia gelar o sangue nas veias.

Quando o deus dos Infernos a convidou a comer as iguarias mais raras, mandadas vir dos quatro cantos do universo para seu prazer, Perséfone recusou, pois sabia que se quebrasse o jejum no mundo dos mortos não mais poderia partir.

Hades levou-a então a um lugar mágico que criara para a sua amada, um jardim cheio de flores e frutos, como um oásis luminoso num deserto de trevas. Sentados sob uma romãzeira carregada de frutos, o deus terrível falou-lhe do seu horrendo trabalho, da sua vida sem amor e sem esperança. Como poderia ser compassivo e generoso se nunca fora amado?

 Perséfone deixou-se envolver pelo sofrimento e a solidão dos belos olhos negros e aceitou os bagos rubros da romã que Hades lhe oferecia com ternas palavras de amor, selando assim o seu destino.

Entretanto na Terra, durante nove dias e nove noites, Deméter, louca de angústia, sem comer nem dormir, percorreu o Mundo à procura da filha, mas nem deuses nem humanos sabiam dizer-lhe o que tinha acontecido. Por fim, o Sol (que tudo vê) compadeceu-se dela e contou-lhe a verdade __ Perséfone encontrava-se nos Mundos Subterrâneos, entre as sombras dos mortos.

Amargurada, Deméter abandonou o Olimpo e refugiou-se numa cabana, recusando-se a abençoar a terra com os seus frutos e sementeiras, tornando os solos estéreis e condenando a raça humana à fome e à miséria. Zeus compreendeu que tinha de obrigar Hades a libertar a Perséfone e enviou Hermes aos Infernos com a sua mensagem.

O Mensageiro dos Deuses encontrou o casal em doce harmonia e transmitiu-lhes as palavras de Zeus. Hades obedeceu, contrariado, mandado preparar a sua quadriga de dragões alados em que Hermes conduziria Perséfone para junto de sua mãe. O Mensageiro viu surpreendido como a jovem se despedia ternamente do deus terrífico…prometendo voltar. Mais do que o sortilégio do bago da romã, parecia ser o amor a ligar a risonha deusa da primavera à sombria beleza do Senhor dos Infernos.

Mal Deméter abraçou a filha, compreendeu que ela já não era a mesma menina alegre e inocente, um véu de melancolia punha sombras nos seus olhos. Perséfone confessou-lhe ter provado o bago da romã do jardim de Hades e, portanto, teria de voltar e a mãe chorou de tristeza e impotência. Para apaziguar o sofrimento de Deméter, Perséfone prometeu partilhar a sua vida com ela e o marido, vindo passar metade do ano na terra para ajudar a mãe nas suas tarefas e indo viver os restantes seis meses no Mundo dos Mortos.

Deméter aceitou o pacto e, durante os seis meses que Perséfone vem viver com ela, faz eclodir na terra a Primavera e o Verão numa profusão de flores e frutos; porém, logo que a filha regressa ao Império de Hades, a deusa da abundância recolhe-se na sua solidão e o Outono e o Inverno apoderam-se da terra, cobrindo-a com o seu manto de tristeza.

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mistress-styx:

LOL Haven’t seen that before…

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The Rings of Power

(Source: mistyhallows, via sassydragon)

THOR & LOKI: Blood Brothers

Over all the millennia, only you have ever loved me, Thor. Only you have ever looked at me with affection in place of condescension. Why, then, am I killing you and not the others? Because you stopped.

(Source: ohdinson, via blackbess)


(Source: itache, via blackbess)

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